ESCADA ACESSÍVEL? COM CERTEZA!

January 12, 2018

Não podemos negar que a escada é a solução de circulação vertical mais comum e mais conhecida que existe.

 

Ao longo da história este elemento arquitetônico ganhou traços que encantaram os amantes da arquitetura, seja pela beleza de suas formas ou por sua engenhosidade e funcionalidade.

 

 

Figura 1: Escadaria do Museu do Vaticano

Fonte: CORNIQUET, 2013

 

 

Além destes aspectos, as escadas assumiram valores simbólicos e culturais, como por exemplo, nas igrejas onde foram utilizadas como símbolo de ascensão aos céus, ou ainda simbolizar o poder econômico e político.

 

 

 

 Figura 2: Pirâmide de Kukulcán – Chichen Itzá / México

Fonte: JARMOLUK, 2015

 

 

 

 Figura 3: Figura 3: Escadaria do Palácio da Justiça de Munique

Fonte: DÜRSCHMIED, 2017

 

 

Com o passar do tempo, a invenção do elevador e outras soluções que nos permitem ir de um andar para o outro, o uso das escadas vem diminuindo. Também contribui para esta diminuição as restrições que elas impõem para acessibilidade de todas as pessoas. Mas apesar disso, não podemos deixar de tê-las nos edifícios. São um elemento importante dentro de um sistema de circulação vertical.

 

Só será inacessível se a escada for o único meio de circulação vertical!

 

A circulação vertical em todos os tipos de edificações deve ser pensada como um sistema, ou seja, é necessário que haja mais de uma maneira para que se possa acessar andares superiores ou inferiores. Por exemplo:

 

 

1 - Podemos ter escadas associadas à rampas.

 

Este é o tipo de solução mais barata e usual, mas não necessariamente a mais viável, uma vez que as rampas ocupam um espaço grande para serem executadas corretamente. Entretanto, pode ser uma solução plasticamente agradável, uma vez que podemos utilizar paisagismo para tornar o percurso da rampa bastante agradável.

 

 

Figura 4: Escada e rampa associadas

Produção da autora

 

 

2 - Escadas associadas à elevadores ou plataformas elevatórias de percurso vertical.

 

Em edifícios comerciais ou residenciais, os elevadores ocupam menos espaço que as rampas. O custo destes equipamentos vem diminuindo com o aumento da demanda, apresentando excelente relação custo x benefício.

 

Figura 5: Escada e elevador em um shopping

Fonte: JARMOLUK, 2011

 

 

3 - Escadas com plataformas de percurso inclinado.

 

Este tipo de equipamento é recomendado para espaços reduzidos. Podem se encaixar bem em situações onde a estrutura arquitetônica já existe e necessita ser adaptada. A imagem abaixo é de um equipamento da Thyssen Krupp, mas hoje existem vários outros fabricantes para este produto.

 

 

Figura 6: Plataforma inclinada Supra Linea

Fonte: THYSSEN KRUPP, 2016

 

 

Acessibilidade é para todos! E tem gente que prefere usar a escada!

 

O importante é que as pessoas tenham liberdade para escolher qual forma de acesso é mais confortável, de acordo com suas habilidades. Há pessoas que preferem escadas ao invés de rampas. Os motivos podem ser vários: o percurso na rampa é mais longo e mais cansativo, o piso inclinado é desconfortável e provoca dores no tornozelo, entre outros.

Há também quem não goste dos elevadores, como por exemplo, os claustrofóbicos.

 

A escada também precisa ser acessível!

 

Mesmo que a escada não seja um meio acessível para todas as pessoas, ela é um meio utilizada por muitas pessoas, e precisar ter condições adequadas de acessibilidade para este grupo. Isso significa que deve ser segura e bem sinalizada. Abaixo listamos as principais características de uma escada acessível:

1 – Atenção no início do projeto:

  • Escadas devem oferecer um percurso confortável e que minimize o risco de acidentes. Portanto, utilize a fórmula de Blondel para calcular escadas que tenham uma relação equilibrada entre a altura do degrau e a largura do piso.

  • A largura das escadas deve ser dimensionada de acordo com o fluxo de pessoas. Em rotas acessíveis, o mínimo é de 1,20 metros.

  • O primeiro e o último degraus devem estar no mínimo 30 cm distantes das áreas de circulação adjacentes.

  • Sempre que a escada mudar de direção, ou o seu comprimento for maior que 3,20 metros, será necessário a colocação de um patamar.

 

2 – Os espelhos devem ser sempre fechados:

  • Apesar de plasticamente belos, os degraus com espelho vazado são um verdadeiro perigo, principalmente para os idosos e as crianças. Há o risco de enroscar a ponta do pé entre um degrau e outro e cair na escada.

  • A NBR-9050/2015 proíbe a utilização de espelhos vazados nas escadas que estejam em rotas acessíveis.

 

3 –  Corrimãos:

  • Devem ser instalados em ambos os lados da escada.

  • Podem ou não estar acoplados ao guarda-corpo.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

 

Figura 7: Corrimão

Fonte: ABNT, 2015 (p.63)

 

  • O corrimão deve ter seção preferencialmente circular, com boa empunhadura, com diâmetro entre 30mm e 45mm.

  • Utilize o corrimão em duas alturas: 92 cm e 72 cm a partir do piso.

  • Os corrimãos laterais devem ser contínuos nos patamares.

  • Devem prolongar-se 30 cm a frente do último degrau, sem prejudicar a área de circulação, com acabamento recurvado.

  • Em escadas com largura superior a 2,40 metros é necessária a instalação de no mínimo um corrimão intermediário.

 

4 – Guarda-corpo:

  • Necessária atenção aos parâmetros da NBR-9077-2001

  • Deve ser instalado em ambos os lados da escada.

  • Utilize altura mínima de 1,05 m.

  • Se possuir um desenho vazado, os espaços vazios devem ser dimensionados de maneira que não permitam a passagem de uma esfera de 15 cm de diâmetro.

 

5 – Sinalização:

 

  • O primeiro e o último degrau da escada devem receber sinalização tátil de alerta no piso.

  • Deve haver sinalização visual dos degraus com fita fotoluminiscente.

  • Nos corrimãos, deve-se dispor sinalização em braile, indicativa do pavimento. Na parede, esta indicação deve ser visual e opcionalmente tátil. A NBR-9050/2015,  seção 5.4.3 (página 45) explica detalhadamente como esta sinalização deve ser.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

 

 

 

Figura 8: Sinalização tátil no piso da escada

Produção da autora.

 

 

A escada é indispensável! Não à toa são utilizadas para as emergências.

 

Seja qual for o conjunto de soluções adotadas no sistema de circulação vertical, a escada não deve ser dispensada.

 

É através da escada que pessoas com deficiência, idosos, crianças e pessoas com dificuldade de locomoção receberão auxílio em situações de emergência, ou caso os aparelhos de circulação vertical mecanizados (elevadore, plataformas, etc) pararem de funcionar.

 

Via de regra, as escadas são parte integrante das rotas de fuga dos edifícios. Quando estas rotas de fuga são constituídas por ambientes enclausurados, deve-se prever uma área de resgate demarcada para que as pessoas que usam cadeiras de roda possam aguardar alí por auxílio. Esta área deve estar fora do fluxo principal de circulação. A NBR-9050/2015 traz alguns exemplos:

 

 

 

Figura 9: Área reservada para cadeira de rodas em área de resgate

Fonte: ANBT, 2015 (p.57)

 

 

 

REFERÊNCIAS:

 

ANBT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR-9077: Saídas de emergência em edifícios. Rio de Janeiro, 2011.

 

ANBT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR-9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2015.

 

CORNIQUET, Wendy. Escadaria do Museu do Vaticano. Vaticano, 2013. CC0 Creative Commons. Disponível em: https://pixabay.com/pt/vaticano-escadaria-gr%C3%A1ficos-roma-1136071/. Acesso em 10/01/2018.

 

DÜRSCHMIED, Franz. Escadaria do Palácio da Justiça. Munique, 2017. CC0 Creative Commons. Disponível em: https://pixabay.com/pt/pal%C3%A1cio-da-justi%C3%A7a-munique-bavaria-2458253/. Acesso em 10/01/2018.

 

JARMOLUK, Michal. Escada e elevador em um shopping. 2011. CC0 Creative Commons. Disponível em: https://pixabay.com/pt/elevador-shopping-compras-escadas-427969/. Acesso em 11/01/2018.

 

JARMOLUK, Michal. Pirâmide de Kukulcán – Chichen Itzá. México, 2015. CC0 Creative Commons. Disponível em: https://pixabay.com/pt/pir%C3%A2mide-m%C3%A9xico-as-ru%C3%ADnas-do-1093922/. Acesso em 10/01/2018.

 

THYSSEN KRUPP. Plataforma inclinada Supra Linea – Catálogo técnico. 2016. Disponível em: http://www.thyssenkruppelevadores.com.br/pt-BR/produto/

Plataforma_Inclinada_Supra_Linea/. Acesso em 11/01/2018.

 

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