Acessibilidade em bares e restaurantes

July 27, 2017

Frequentar restaurantes é um hábito vez mais praticado pelos brasileiros, seja pela necessidade do dia a dia ou por prazer. Nos dias de hoje, mais do que simplesmente fazer uma refeição, ir a um restaurante significa vivenciar uma experiência (NERI, 2012).

 

Segundo o senso do IBGE de 2010, há no Brasil 45,6 milhões de pessoas com deficiência demandando serviços, inclusos os de alimentação. Mais do que uma questão de responsabilidade social por parte das empresas do setor, o acesso aos estabelecimentos de alimentação é um direito garantido à todas as pessoas (idosos, crianças, gestantes, obesos, pessoas com dificuldade de locomoção, pessoas com deficiência, entre outras).

 

A acessibilidade em bares e restaurantes deve contemplar dois tópicos principais:

  1. Acessibilidade ambiental: relativa às características físicas do ambiente que permitem o acesso de todas as pessoas;

  2. Acessibilidade atitudinal: a capacitação e a atitude da equipe do estabelecimento para o atendimento de todas as pessoas.

     

     

     

     

     

     

     

É necessário que o conjunto espaço-atendimento possa oferecer ao usuário uma experiência completa. De nada adianta o estabelecimento possuir acessibilidade ambiental se o garçom não conseguir anotar o pedido de uma pessoa com deficiência na fala. Por isso, a montagem e a organização deste tipo de negócio são complexas e requerem atenção aos detalhes.

 

De maneira geral, sugerimos aplicar a filosofia do Design Universal no planejamento e desenvolvimento tanto do ambiente, quanto do serviço que se pretende oferecer no estabelecimento, ou seja, as diretrizes do Design Universal podem orientar o projeto da experiência que será ofertada no bar ou restaurante.

 

 

 

 

ACESSIBILIDADE AMBIENTAL

 

Segue abaixo alguns pontos principais que devem ser observados para atendimento mínimo ao que preconiza a legislação brasileira, através do Decreto-Lei 5296/2004 e da NBR-9050/2015, no tocante à acessibilidade ambiental:

  • Vagas acessíveis para estacionamento:

    • Devem haver vagas disponíveis para acessibilidade de pessoas com deficiência e vagas para idosos.

    • Estas vagas devem estar devidamente sinalizadas e as vagas para pessoas com deficiência precisam de uma área de manobra lateral com largura de 1,20 e localizadas o mais próximo possível da entrada.

    • O CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito) através da resolução 304/08 determina que o número mínimo de vagas reservadas para acessibilidade seja de 2% do total de vagas regulares. Entretanto, é importante verificar a legislação municipal de cada localidade, pois algumas prefeituras exigem quantidade maior.  

    • Quanto às vagas reservadas para acessibilidade na rua, caso não haja uma vaga próxima ao estabelecimento, consulte o órgão de trânsito do município para a implantação de uma.

 

  • Rota acessível

    • Rota acessível é o trajeto contínuo, sinalizado e livre de barreiras, que conecta os espaços externos e internos. Ela engloba o estacionamento, a calçada, faixas de travessia de pedestres, rampas, escadas, elevadores, portas, passagens e corredores de circulação, interligando todos os ambientes de uma edificação, e deve permitir que as pessoas acessem os estabelecimentos a partir da rua ou do estacionamento e circulem por todos os espaços com autonomia a segurança.

    • Em bares e restaurantes é importante garantir a rota acessível entre as mesas. É preciso que haja espaço suficiente para pessoas em cadeiras de rodas ou com outros dispositivos de tecnologia assistiva (andadores, por exemplo) possam circular no salão e se aproximarem para utilização das mesas.

 

  • Sinalização

    • A sinalização é um elemento extremamente importante e muitas vezes esquecido. Ela auxilia a todas as pessoas na orientação espacial, além de contribuir para o direcionamento do comportamento social nos ambientes (como no caso de situações de emergência, por exemplo).

    • A sinalização não é somente visual (placas com ícones ou textos). Ela deve ser elaborada para atender a pessoas com todos os tipos de habilidades sensoriais. Assim, devemos utilizar mais de uma mídia e mais de uma linguagem para a sinalização:

      • A sinalização tátil de piso é indicada em áreas abertas, como por exemplos as calçadas. Servem para indicar o sentido do caminhar e alertar à pessoa com deficiência visual a existência de desníveis ou eventuais situações de risco. Deve ser utilizado juntamente com um mapa tátil do lugar.

      • Sinalização indicativa com texto e ícones em alto relevo e braile.

      • Sinalização sonora.

      • Sinalização visual.

 

  • Banheiros acessíveis

    • Não dá para admitir que pessoas ficarão por horas em um estabelecimento sem necessitar ir ao banheiro.

    • Portanto, é imprescindível a existência de banheiros adequados, com espaço para manobra de cadeira de rodas, barras de apoio, e equipamentos sanitários em altura correta para a aproximação e uso de todas as pessoas.

    • Não podemos esquecer do trocador!! Em banheiros acessíveis ele tem altura diferenciada!

 

  • Mesas e balcões de atendimento e autosserviço

    • O ideal é que todas as mesas no salão sejam acessíveis. Assim cria-se um ambiente de igualdade. Entretanto, na impossibilidade desta situação, as mesas de refeição acessíveis devem estar identificadas e localizadas dentro da rota acessível, distribuídas por locais variados do salão. Junto à estas mesas deve-se garantir o giro em 180° de uma cadeira de rodas.

    • Os balcões de atendimento, devem ter altura entre 90 e 105 centímetros, para permitir a visualização de pessoas de várias alturas, sentadas ou em pé. É necessário espaço suficiente para aproximação lateral ao balcão de pessoa em cadeira de rodas, bem como área para manobra da cadeira.

    • No caso dos balcões de autosserviço, muito comuns em restaurantes do tipo  self-service, a altura dos mesmos deve ser entre 75 e 85 cm e eles devem possuir apoio para as bandejas.

 

Os pontos destacados acima são apenas parte de um conjunto de itens que devem ser observados para que os ambientes sejam acessíveis. Contudo, lembramos que acessibilidade não é apenas permitir que as pessoas entrem nos lugares.

Considerando a afirmativa de que frequentar bares e restaurantes é vivenciar uma experiência, a ambientação dos espaços torna-se um aspecto de suma importância e pode ser decisiva na escolha do consumidor. Desta forma, é primordial que estes ambientes sejam projetados para serem inclusivos, evitando-se situações discriminatórias, em que mesas são marcadas para a utilização de determinados grupos de pessoas. É necessário, portanto, ter sensibilidade e bom senso para que o design do lugar colabore para o sucesso do estabelecimento, sendo atrativo para o maior número de pessoas possível.

 

 

ACESSIBILIDADE ATITUDINAL

 

Na maior parte das vezes, a falta de informação e de procedimentos sistematizados e orientados para o cliente são a maior barreira para o atendimento eficiente de todas as pessoas, em especial aquelas que possuem algum tipo de deficiência.

E de nada adianta o estabelecimento possuir acessibilidade ambiental, se as pessoas que trabalham alí não sabem como lidar com o público que frequenta aquele local. Desta maneira a experiência que o cliente terá não será completa, e provavelmente pouco positiva.

Marcela Sá conta na revista Acessibilidade Gourmet (2010) a experiência de pessoas com deficiência em bares e restaurantes do Distrito Federal. O que chama a atenção nos relatos é todas pessoas entrevistadas reclamaram do serviço e do despreparo da equipe para o atendimento.

Novamente destacamos a importância de se dar atenção aos detalhes. Alguns são de extrema relevância e podem fazer toda a diferença:

  • Cardápios multimídias

    • A legislação brasileira obriga a existência de cardápios em braile nos restaurantes. Porém, nem todos os cegos sabem ler braile. Assim, cardápios com texto em alto relevo ou ainda, aplicativos para tablets e celulares que possuam o cardápio “falado” podem ser uma alternativa.

 

  • Comunicação eficiente

    • Pessoas com deficiência auditiva necessitam de um procedimento diferenciado: algumas conseguem ler os lábios do outro ao se comunicarem, mas para isso acontecer é preciso estar de frente para a pessoa e o outro tem de falar pausadamente.

    • Na falta de um intérprete de libras no estabelecimento, papel e caneta e uma boa dose de boa vontade podem ajudar.

 

  • Informação e treinamento

    • A capacitação da equipe de atendimento é de extrema importância para que possam dar um tratamento igualitário para todas as pessoas. Muitas vezes temos dificuldades em nos colocar na pele do outro e entender quais são suas necessidades. Aceitar e entender as diferenças é uma questão de educação e de informação.


REFERÊNCIAS
 

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR-9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2015.

 

IBGE. Censo 2010. Disponível em: http://censo2010.ibge.gov.br/resultados.html. Acesso em 26/07/2017.

 

NERI, Luciane; GIMENES-MINASSE, Maria Henriqueta S. Garcia. Acessibilidade em restaurantes e similares: reflexões introdutórias. Anais do VII Seminário de Pesquisa em Turismo do Mercosul. 2012.

 

SA, MARCELA. Acessibilidade Gourmet. 2010. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/45207482/Revista-Acessibilidade-Gourmet. Acesso em 26/07/2017

 

 

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