Residências Acessíveis: 10 aspectos essenciais a serem considerados


Desenvolver projetos para residências acessíveis, seja para construções novas ou para adaptações de edificações existentes, significa muito mais do que simplesmente projetar moradias com acesso adequado para pessoas com deficiência.


Espaços acessíveis se traduzem em qualidade de vida para todos, na medida e que oferecem ambientes confortáveis, seguros e onde a interação social entre as pessoas de quaisquer características, idade ou habilidades pode ocorrer dentro de um clima de normalidade, com autonomia e de maneira equiparada.


A base para o projeto destes espaços são os princípios do Design Universal.

São sete os princípios, que recordamos abaixo:

  • Uso equiparável;

  • Flexibilidade no uso;

  • Uso simples e intuitivo;

  • Informação perceptível;

  • Tolerância ao erro;

  • Pouco esforço físico;

  • Tamanho e espaço para aproximação e uso.


De maneira simplificada, podemos destacar 10 aspectos que são essenciais em residências acessíveis:


1 – Rota acessível: o conceito de rota acessível deve ser implantado também dentro das residências. O projeto da edificação deve contemplar o acesso a partir da rua, livre de barreiras arquitetônicas (tais como degraus, por exemplo) e deve permitir que a pessoa acesse a todos os ambientes da casa.


2 – Portas: devem ter largura mínima de 80 cm em todos os ambientes. É importante observar a necessidade de espaço para aproximação de no mínimo 30 centímetro ao lado da maçaneta, quando o lado de abertura da porta ocorrer no sentido oposto ao deslocamento do usuário. Quando a porta abrir no sentido do deslocamento do usuário, este espaço deve ser de no mínimo 60 centímetros.

Imagem 1: Área de aproximação junto à maçaneta das portas

Fonte: NBR-9050/2015 p.70




***Atenção com as maçanetas! É importante que estas sejam do tipo alavanca para que possam ser acionadas com um mínimo de esforço, e por outras partes do corpo além das mãos. Puxadores horizontais também devem ser instalados a uma altura de 90 centímetros pelo lado interno das portas.


3 – Corredores: em residências devem ter a dimensão mínima de 90 cm, com um comprimento máximo de 4,0 metros. Contudo, o ideal é que permitam a manobra de cadeiras de rodas, e para tanto, é necessário que o corredor possua 150 cm de largura.


4 – O piso: deve possuir superfície regular, firme, estável e ser antiderrapante. Deve ter inclinação transversal máxima de até 2% nos pisos internos e 3% nos pisos externos.


5 – Desníveis: diferenças de nível de até 5 milímetros são admissíveis. Desníveis entre 5 e 20 milímetros devem ser tratados como rampa, com inclinação máxima de 1:2.


6 – Circulação vertical: Em função da disponibilidade de espaço, a maioria das residências que necessitam de circulação vertical possuem escadas. Contudo, estas não devem ser o único meio para acesso a outros pavimentos. É necessário que estejam associadas à rampa ou a equipamento eletromecânico de transporte vertical (elevador, plataforma elevatória, etc). O dimensionamento das escadas deve obedecer aos critérios estabelecidos pela NBR-9050/2015. Guarda-corpo e corrimãos nos dois lados são obrigatórios.



Imagem 2: Escada associada à equipamento eletromecânico de transporte vertical

Fonte: http://www.thyssenkruppelevadores.com.br/pt-BR/produto/cadeira/


7 – Janelas: para garantir o ângulo visual de todas as pessoas, a altura dos peitoris deve ser de no máximo 80 cm. Os dispositivos para abertura e fechamento das janelas devem estar a uma altura máxima de 120 cm e serem do tipo alavanca.

Imagem 3: Altura dos peitoris das janelas

Fonte: NBR-9050/2015 p.73



8 – Banheiro: para falar sobre este ambiente, vamos dividi-lo em subtópicos:

  • Bacia sanitária: É necessário prever espaço suficiente para a área de transferência. Barras de apoio deverão ser instaladas na lateral e atrás da bacia sanitária. A altura da bacia sanitária deve ser entre 43 e 45 centímetros. O mecanismo de acionamento da descarga deve estar a uma altura máxima de 1 metro. Se for utilizada bacia com caixa acoplada, o mecanismo de acionamento deve encontrar-se dentro da área de alcance manual de uma pessoa sentada.











Imagem 4: Áreas de transferência para bacias sanitárias

Fonte: NBR-9050/2015 p.90



  • Lavatórios: devem garantir área de aproximação tanto para pessoas em pé, quanto para pessoas em cadeiras de roda e possuir barras de apoio verticais ou horizontais. As torneiras devem ser acionadas por alavancas ou sensores eletrônicos

Imagem 5: Área de aproximação para lavatórios

Fonte: NBR-9050/2015 p.99

  • Chuveiros: o box para chuveiro deve ter dimensão mínima de 90 x 95 centímetros. Deve ser prevista uma área de transferência externa ao box, que permita a aproximação e entrada de cadeira de rodas ou cadeiras de banho. Dentro do box é necessário prever um banco articulado ou removível com superfície antiderrapante impermeável e barras de apoio 90° na parede lateral ao banco e uma barra vertical fixada na parede do banco. O chuveiro deve ser equipado com desviador e seus registros de acionamento devem ser do tipo alavanca. O piso do box deve ser antiderrapante e deve estar em nível com o piso adjacente, prevendo uma inclinação de 2% na direção do ralo para o escoamento da água. Grelhas e ralos devem estar fora da área de manobra das cadeiras de roda.


  • Acessórios: itens como toalheiro, papeleiras, saboneteiras, entre outros devem ser fixados entre 80 e 120 centímetros de altura, respeitando a faixa de alcance manual para pessoas em cadeiras de roda.



9 – Cozinha: nestes espaços deve-se garantir espaço suficiente para aproximação e uso de todos os utensílios. Pias devem ter altura máxima de 85 cm, sendo que deve haver uma altura livre inferior de 73 cm.



10 – Dormitórios: o mobiliário deve atender às condições mínimas para alcance manual e visual previstos na NBR-9050/2015. Sua disposição dentro do ambiente deve considerar áreas de circulação mínima de 90 cm de largura, e pelo menos uma área com diâmetro mínimo de 150 cm para manobra de cadeiras de rodas. Estas áreas de circulação devem permitir acesso aos armários, cama, escrivaninha, enfim, a todas as facilidades existentes no ambiente.



Referências



ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR-9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2015.


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